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A história da minha vida - Helen Keller

O livro “A história da minha vida” traz o relato autobiográfico de Helen Keller (1880-1968), americana, que ficou cega e surda aos 18 meses de idade. No final do século XIX, conseguiu aprender a ler, escrever e falar, dominar línguas, graduar-se em filosofia e tornar-se escritora reconhecida. Com a chegada da professora Anne Sullivan à sua casa, quando Helen Keller tinha pouco menos de sete anos, seu mundo transformou-se: aprendeu a manifestar através das palavras, até então desconhecidas seus desejos, seus sentimentos, entendeu regras, aprendeu a criar. Uma imensa felicidade, que a tirou do mundo da escuridão em que vivia: "O dia mais importante de que me lembro (...) é o da chegada de minha professora, Anne Mansfield Sullivan. Fico maravilhada quando penso no imenso contraste entre as duas vidas que este dia ligou”.

Ajudada pela nova amiga, seu desenvolvimento foi extraordinário. Anne ensinou-lhe diferentes meios de comunicar-se: por meio da pressão dos dedos nas mãos; da leitura dos lábios, tocando a boca das pessoas; pela escrita em braille; e chegando à fala.

Helen escreve sobre o afeto que a professora introduziu na sua vida: "no mundo parado e escuro em que eu vivia não havia nenhuma ternura ou sentimento forte em relação aos outros". Com a educação, descobriu que tudo tinha um nome e cada nome fazia nascer um novo pensamento; no dia dessa revelação, "pela primeira vez na vida, ansiei para que um novo dia chegasse".

Helen Keller foi a primeira deficiente auditiva e visual a se graduar na Radcliff College.  Publicou 14 livros traduzidos em mais de cinquenta línguas. Tornou-se, além de reconhecida escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo trabalho incessante que desenvolveu para o bem-estar dos portadores de deficiência.

Foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como as Universidades de Harvard, da Escócia, da Alemanha, da Índia e da África do Sul. Foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França; no Brasil foi condecorada com a Ordem do Cruzeiro do Sul; no Japão com a do Tesouro Sagrado; dentre outras. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes. Sua vida é uma verdadeira e inspiradora história de superação.

Algumas passagens do livro:

“As crianças que ouvem aprendem a linguagem sem qualquer esforço especial; as palavras que caem dos lábios alheios são pegas por elas no ar, como se diz, prazerosamente, enquanto a criança surda precisa prendê-las numa armadilha através de um lento e geralmente penoso processo. Contudo, seja qual for o processo, o resultado é maravilhoso.”

“A criancinha que escuta aprende pela constante repetição e imitação. A conversa que escuta em casa estimula sua mente, sugere tópicos e faz surgir a expressão espontânea de suas próprias idéias. Essa troca natural de idéias é negada à criança surda. O surdo e o cego acham muito difícil dominar as amenidades da conversa. Como tal dificuldade deve aumentar no caso dos que são ao mesmo tempo cegos e surdos. Não podem distinguir o tom da voz ou, sem ajuda, subir e descer a escala de tons que dão significado às palavras, nem observar a expressão do rosto de quem fala – e um olhar é às vezes a própria alma daquilo que se diz.”

“Nenhuma criança surda que tente da maneira séria pronunciar palavras que nunca ouviu – sair da prisão do silêncio, onde nenhum tom de amor, nenhuma canção de pássaro, nenhuma melodia jamais penetrou – pode esquecer a exaltação da surpresa, a alegria da descoberta que lhe chega quando consegue pronunciar sua primeira palavra.”




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